O clima, o edifício e o acordo de Copenhague

O Clima e os Edifícios é o nome da matéria que ministro na pós-graduação da Gama Filho, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

Li a pouco no portal do CREA, uma notícia da Reuters sobre o acordo de Copenhague que me despertou reflexões e resolvi comentar aqui (só dou essa aula uma vez por semestre) e repassar mais uma vez a informação. Afinal é assim que através dos tempos, se dá a comunicação humana, repassando adiante. Do tambor à internet, da sala de aula ao estímulo à reflexão, seja lá por qual mídia for. Nem sempre a informação chega com o sentido inicial, portanto reflita!

E o que o acordo de Copenhague tem a ver com clima e edifícios? Na verdade (e o que é a verdade?), tudo que afeta o clima influi em nosso bem estar e precisamos de abrigos para estar bem.  Agora sabemos da finitude de certos insumos (como combustíveis fósseis), do valor de outros (como água).

À pouco tempo atrás escovávamos os dentes com a torneira aberta…Agora sabemos que para tratar a água (como para qualquer trabalho), gasta-se energia. Sabemos também que sem água não sobrevivemos. E somos cada vez mais, a precisar de abrigo, água, energia. Qual será a lotação do planeta? Já estamos perto dos 7 bilhões. E quando tem muita gente no mesmo lugar, não fica mais quente?

Pois é, afeta o clima.

Os pesquisadores do IPCC relacionaram em 2007, com vários indicadores, a pressão do desenvolvimento humano no clima. Aumentamos os gases de efeito estufa à medida que somos mais e consumimos cada vez mais em busca de um conforto ou estatus ilusório, anunciado para todos nas telas das tvs, entre as muitas telas atuais.

Ontem, numa discussão de beira de cachoeira (que tem estado lotadas  nesse verão de 40 graus), um amigo me chamava a atenção para o fato que os vulcões em atividade no período histórico analisado pelo IPCC, terem emitido muito mais gases de efeito estufa que as atividades humanas, sendo mais importante se preocupar com o crescimento da população e a pressão nos recursos, digamos biológicos, que podem desaparecer.

Portanto as verbas para  “limitar o aumento médio da temperatura global a 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industrial“, deveriam também contemplar a educação, no sentido mais amplo dessa palavra, já que de fato, quem tem mais acesso se reproduz menos, tem pegada ecológica menor, tende a compartilhar mais. A ficha já caiu, mesmo que seja ainda uma tendência. É a era pré-ambiental que está começando (segundo alguns cientistas, só há mudança de fato quando muda a matriz energética, como quando da expansão d a máquina a vapor, do motor a explosão).

O compromisso dos países para baixar emissões citados no texto abaixo, se referenciam  a 2005 (EUA) ou 1990, mas pré-industrial mesmo seria antes de 1750/1800, quando o trabalho começa a ser feito na fábrica e não em casa. Que níveis seriam esses? Como a informação que é repassada muitas vezes pode conter imprecisões, me parece que houve falha de comunicação.

“O acordo ….sugere a liberação de 100 bilhões de dólares em ajuda climática a países em desenvolvimento a partir de 2020”.  Será que esta frase também tem algum erro? Até lá estão de acordo que algumas ilhas e praias desapareçam para ajudar a população depois?  Vão deixar que se continue impermeabilizando o solo, com o progresso representado por vias asfaltadas para carros engarrafados, edifícios envidraçados ávidos consumidores de energia em climas quentes?

Ou a gente evolui para anfíbio, ou trata de combater as mudanças climáticas com mudança de hábitos.

5 de fevereiro de 2010

Lourdes Zunino

Países cumprem acordo de Copenhague e anunciam metas

Cumprindo o compromisso assumido no mês passado na conferência de Copenhague, 55 países, representando quase 80 por cento das emissões globais de gases do efeito estufa, apresentaram metas com relação ao combate à mudança climática, informou a Organização das Nações Unidas na segunda-feira.

“Isso representa uma avigoramento importante das negociações da ONU sobre a mudança climática”, disse Yvo de Boer, chefe do secretariado climático da ONU, sobre as metas apresentadas até o prazo previsto em Copenhague, 31 de janeiro. Tais metas dizem respeito à redução nas emissões de gases do efeito estufa até 2020.

A maioria dos governos – inclusive China e EUA, os dois maiores emissores – apenas reiteraram promessas divulgadas antes da cúpula de Copenhague, o que frustrou muitos observadores por não resultar em um tratado que seja de cumprimento obrigatório.

De Boer disse que as promessas apresentadas por 55 dos 194 países participantes representam 78 por cento das emissões resultantes do uso energético. A ONU diz que o prazo é flexível e que outros países podem apresentar seus planos mais tarde.

O diplomata disse que os compromissos são “claros sinais da disponibilidade em avançar as negociações para uma conclusão bem sucedida”. A expectativa dos envolvidos é selar o novo tratado climático global, que entraria em vigor em 2013, durante uma reunião entre 29 de novembro e 10 de dezembro em Cancún (México).

O acordo de Copenhague busca limitar o aumento médio da temperatura global a 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industrial, e sugere a liberação de 100 bilhões de dólares em ajuda climática a países em desenvolvimento a partir de 2020. Mas o texto deixava em branco as metas individuais dos países para a redução de emissões de gases do efeito estufa. Analistas dizem que as atuais metas levarão a um aumento superior a 2C.

A União Europeia propõe um corte de 20 por cento nas emissões, em relação aos níveis de 1990, ou 30 por cento se outras nações ampliarem suas ações. Os EUA prometem um corte de 17 por cento em relação aos níveis de 2005, o que significa 4 por cento em relação ao ano-base 1990. A legislação norte-americana, no entanto, está parada no Senado.

Já a China promete “se empenhar” em reduzir em 40-45 por cento as emissões por unidade do PIB até 2020, em relação aos níveis de 2005. Esse tipo de meta permitiria que as emissões continuassem crescendo, mas em ritmo inferior ao crescimento econômico.

Concebido originalmente por EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul, ao final da conferência de Copenhague, o acordo não foi adotado formalmente pelo plenário, devido à oposição de alguns países em desenvolvimento, como Sudão, Venezuela e Cuba.

O fato de grandes países em desenvolvimento, como China e Índia, submeterem suas metas não significa necessariamente que eles desejam se “associar” ao tratado. A Índia, por exemplo, sugere que o Protocolo de Kyoto continue norteando a política climática global depois de 2012, em vez do eventual Acordo de Copenhague.

Fonte: Reuters.

http://app.crea-rj.org.br/portalcreav3/CMS?idMateria=E3B5AD90-9202-9CFC-612B-F5208A32296E&idSecao=FA4B9D3E-40FB-570F-2407-CBAE81E54915

One Response to O clima, o edifício e o acordo de Copenhague

  1. guilherme disse:

    Os sérios problemas ambientais que afetavam o mundo foram a causa da convocação pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1968, da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, que veio a se realizar em junho de 1972 em Estocolmo.

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