Solar City Tower: Bad joke

Bad joke

Vem sendo postado pela internet um projeto chamado “Solar City Tower” do escritório RAFAA para marco olímpico do Rio de Janeiro. Ao olhar o projeto, nós da Inverde ficamos incrédulos com a proposta e seguem algumas críticas em cima dos documentos divulgados.

Bad joke

Pela ampla divulgação -até no próprio Brasil- do projeto e a falta de comentários críticos pelos sites divulgadores, achamos importante se posicionar uma vez que esse projeto veicula uma imagem de um país que promove inconsciência ambiental e fanfarronada arquitetônica. Tudo que brilha não é ouro.

Bad joke

  • Queríamos  ter acesso aos diagramas de energia do projeto, uma vez que levantar uma cascata desse porte a 100 metros de altura vai demandar muito mais energia do que aquelas placas solares podem fornecer num verão inteiro.
  • Cadê o embasamento científico/técnico necessário para poder iniciar qualquer ideia em relação a sustentabilidade?
  • Como se chega ali? De barco se jogando no costão rochoso?
  • E aquela mata debaixo da catarata, o que acontece com ela?
  • Como se anda nessa ilha?
  • Como que alguém se joga no meio de uma catarata amarrado a um elástico?
  • E a inserção na paisagem?
  • E a Lei nº. 5019 de 6 de maio de 2009, que institui um tombamento em ZVS da ilha e de 200 metros do espelho de água em volta dela?
  • E o tombamento federal do costão rochoso?

Bad joke

Enfim, poderiam se colocar mais dúvidas ainda vendo o diagrama que explica como sobe a água na torre, etc. Olhando em outros sites onde foi postado esse projeto “fabuloso”, os comentários postados são quase unânimes mostrando o ceticismo e o poder crítico dos webleitores, mostrando que a web 2.0 é ainda o melhor lugar para se promover debates.

Sustentabilidade é uma coisa seria e ficamos muito incomodados pelas quantidades de blogs “verdes” que transmitiram o projeto como se ele fosse factível e mensurado.

Citando o site da editora PINI no texto on-line disponível no dia que escrevemos esse artigo “o Solar City Tower será capaz de gerar energia suficiente para abastecer a vila olímpica e parte da cidade fluminense“.  No dia seguinte a editora PINI respondeu a nosso contato e alterou o seu texto.

Bad joke

Rio de Janeiro não precisa desse tipo de projetos, feitos nas nébulas de programas como Rhino ou 3D max, sem critério, sem conexão com a realidade socio-ambiental e sem objetivo, a não ser de fazer o marketing do arquiteto ao custo da imagem da cidade e do país.

No Lago Leman, na Suíça vai ficar muito bom com certeza.

Aguardamos comentários!!

Mais informações sobre o projeto: PINIweb

21 Responses to Solar City Tower: Bad joke

  1. Monique Perim disse:

    Pierre-Andre, acho que nem aqui no lago Leman esse projeto ficaria bem… Ainda mais com a consciência ecologica dos Suíços…🙂
    Abc

  2. Emerson disse:

    Vou dar uma dica então para os “arquitetos visionários” que fizeram este projeto absurdo para o Rio de Janeiro: penso que este projeto cairia bem para os “xeiques árabes”, em Abu Dhabi ou Katar. Enfim… no meio do deserto onde o dinheiro brota do chão como água!

  3. …Bom…se a idéia era causar indignação – digo -instigação, eles conseguiram…
    E se realmente este projeto não foi aprovado nem como finalista do concurso, fico bem mais tranquila…afinal é quase uma tentativa (falida) de competição com Deus.
    Não concordo que deva ficar melhor no Lago Leman, na Suíça , mas se um dia tivesse que ser construído …que fosse LÁ.
    Abraços,
    Mayra Janaína

    • Realmente prepotente como projeto e muito inconsciente em termos ambientais. O ideal mesmo é que não seja construído em lugar nenhum e também não seja divulgado em lugar nenhum. Aquilo so se viabiliza dentro de um programa de 3D e não na vida real… Inviável em todos os sentidos do termo!
      Volte sempre,
      Abraços,

  4. Carolina Miranda disse:

    Meu Deus! Além de tudo isso o que escreveram…além de tudo é uma construção extremamente BREGA!!!!!!!!

  5. Marco Milazzo disse:

    Prezados, este projeto foi um dos concorrentes do concursos internacional promovido pela Arquitectum, empresa privada peruana organizadora de concursos por todo o mundo. O concurso contou com a participação de centenas de projetos, e o projeto da RAFAA sequer foi selecionado entre os finalistas do concurso.
    A idéia da Arquitectum era apenas criar um concurso para instigar a criatividade, totalmente conceitual, sem ter qualquer compromisso com a exequibilidade.
    A matéria da revista AU está completamente equivocada, não sei porque motivo foi divulgado este projeto, e a empresa RAFAA conseguiu o seu objetivo que era divulgar seu nome através da polêmica que o seu projeto causaria.
    Em nenhum momento este projeto teve qualquer vinculação com a prefeitura ou com o IAB-RJ.
    Vcs podem conferir os concorrentes do concurso no site da empresa arquitectum:
    http://www.arquitectum.com

  6. Daniel disse:

    Concordo plenamente com o comentário do Raul acima. Ridicularização completa de qualquer pensamento crítico sobre a ocupação do território.

  7. Impossível não concordar que o projeto não merece comentários.
    Agora, sem dúvidas o que merece comentários pra não passar despercebida é a falta de profissionalismo de uma imprensa “especializada” que não faz qualquer esforço pra aferir qualquer informação ou sequer de pensar ou julgar o que pode ter um mínimo de veracidade ou plausibilidade. E qualquer factóide é lançado sem vergonha de copiar na íntegra o texto de um release vindo de um pps…
    Vergonhoso…

    • ceciliaherzog disse:

      Concordo com você plenamente, Igor. A opinião da mídia é sempre importante na educação e conscientização das pessoas sobre os problemas que estão ocorrendo no planeta. Sejam eles econômicos, estéticos, culturais, sociais ou ambientais. Esses podem ter impactos futuros incalculáveis e não sao devidamente abordados. Seria muito importante se as pessoas responsáveis por essas matérias tivessem consultoria de pesquisadores e cientistas das diversas áreas para poder preencher o importantíssimo papel de disseminador de conhecimentos embasados em dados científicos que possam ser acessíveis à grande população.

      Não dá mais para viver no tempo em que achar que algo ser belo ou não, depende só de conceitos estéticos.

      Hoje sabemos que os impactos das ações humanas estão causando danos irreparáveis e irreversíveis que precisam ser evitados ao som do conhecimento técnico-científico.

      A Inverde está completamente comprometida em participar dessas pesquisas e de levantar os problemas que poderão ocorrer com projetos que não tenham embasamento em profundo conhecimento das condições ambientais e sociais locais.

      Continue conosco.

      Abraço,
      Cecilia

  8. Alexandre Pessoa disse:

    Esse “projeto” sequer deveria estar sendo discutido. O problema é que ele foi divulgado em diversos sites internacionais como sendo um projeto ligado às olimpíadas. O tal escritório tenta entrar na onda na qual o Rio se inseriu recentemente, mas é a mais pura (desculpem) cascata…

  9. Alexandre Xavier disse:

    não precisamos deste tipo de intervenções, acho um pouco de “prepotência” vc se sobressair diante de um maravilhoso mar e ilhas criadas pela própria natureza, já basta os outdoors que temos pela cidade..

  10. É difícil acreditar que algúem tenha imaginado isso, mas se o fez, coitado, num espasmo de incontinência, como teve a coragem de publicar?
    Tal pessoa merece todo nosso apoio e solidariedade, mas para obter urgentemente tratamento psicológico intensivo, ou exorcismo, uma vez que encontra-se possuído pelo delírio narcisista que o faz crer que pode criar alguma coisa à altura da natureza do Rio, e ainda usar a alegação já banalizada da “sustentabilidade”.
    Pior que a falta de crítica é a falta de autocrítica. Mas o Casé abriu a porta do inferno com aquele viaduto-obelisco do Bar20 e até concursado era… né, IAB?
    O Sérgio Bernardes deve estar se revirando na tumba – mas pelo menos ele fez o Claudio.
    abçs

  11. Pelamordedeus… Até agora o mais verossímil é que esta proposta seja mais uma lenda urbana, mais um pps falso, asim como os textos dos Veríssimos genéricos, as novas modalidades de sequestros ou de doenças causadas por coisas do dia-a-dia que circulam por aí.

    Não dá pra acreditar que alguém tenha tido essa idéia, e se teve, coitado, que não tenha tido vergonha de publicar…

    É uma pessoa que precisa do nosso total apoio, mas no sentido de ajudá-lo a obter tratamento psicoterápico intensivo, ou um bom exorcismo, pois está possuído pelo delírio narcisista de que pode “criar” alguma coisa à altura da natureza do Rio, sob a ridícula alegação de que tal aberração é “sustentável”, como alías tudo hoje em dia.

    Eis a responsabilidade e o problema da falta de crítica e autocrírica na arquitetura: Quem mandou o Casé abrir a porta do inferno com aquele monumento do Bar20? Agora acham que vale tudo nessa cidade. E olha que ele venceu concurso…

    Sérgio Bernardes deve estar se revirando na tumba… Mas pelo menos ele fez o Claudio!

  12. Caro amigos,
    Na mensagem recebida foi citado o IAB RJ.
    Isto é um desvairio proveniente de um concurso particular irresponsável sem qualquer chancela nossa.
    A ilha de Cotunduba é patrimonio, tombada e ali é absolutamente proibido qualquer tipo de construção.
    Além disso é impossível seu acesso fisicamente. Quem conhece o mar e o Rio de Janeiro sabe disso.
    Gostaria de perguntar ao gênio que projetou isso como ele colocou as pessoas lá. A resposta seguramente será : com o photoshop !
    É lamentável mas a internet permite tudo.
    Saudações,
    Ricardo Villar
    Vice Presidente do IAB-RJ

  13. MARCIA NOGUEIRA disse:

    antes de qualquer outra discussão, há de se analisar nesta proposta, seu impacto na paisagem: implantar um elemento com uma volumetria totalmente inadequada e com essas características técnicas, na entrada da baia de Guanabara, na ilha de Cotunduva que é protegida pela legislação ambiental, junto ao Pão de Açúcar que é um dos principais ícones da paisagem cultural de nossa cidade, é no mínimo, uma total agressão à cidade do Rio de Janeiro.

  14. Hans disse:

    Este projeto, em todos os aspectos, é inviável. Tecnologicamente, a área minúscula não produz energia relevante. O estrago na paisagem é horripilante. E, no desenho, a torre ainda jorra água salgada em cima das plantas da Ilha.

    O melhor para se fazer nas Ilhas de Cotunduba é um passeio de canoa. Dar um mergulho lá, apreciar a natureza, o silência, voltar para perto da encosta entre Leme e Praia Vermelha: tem uma enseada de onde não se vê mais nada da cidade!

    Viver no Rio é viver com a natureza, não violando-a.

  15. carol disse:

    Não sei como isso pode ser realizado, simplesmente jogam elementos aleatórios na paisagem, sem discutir, sem perguntar se é necessário, se fica bom…
    Acredito que existam leis que impedem esse tipo de construção, porque essa certamente interfere na paisagem do Rio de Janeiro, não é qualquer edifício, tem um porte enorme em uma ilha, perto da água, além de ser inapropriado esteticamente, acho que vai contra a própria legislação do município, questão de recuos, gabarito…

    Não acredito que será construído!! Pelo menos não deveríamos deixar!

  16. Flávia disse:

    Realmente não consegue passar de uma bad joke… De péssimo gosto e reflexo da capacidade intelectual de quem fez.

  17. Raul disse:

    Este projeto é tão ruim que não merece ser comentado. Prefiro as propostas do Sérgio Bernardes. Ao menos elas tinham uma função.

    • Walter Laier disse:

      A energia solar sobre a superfície da terra é de + ou – 1,3HP/m2. Com um rendimento extraordinário de 30%, teríamos aproximadamente 0,4HP/m2.
      Um HP eleva 0,75 litros de água por segundo a 100m de altura. Se esta cascata despejar somente 20 m3/s, serão necessários 27.000 m2 de coletores solares; ou seja, 3 campos de futebol em coletores solares, num dia totalmente claro com radiação solar máxima. E de manhã? E à tardinha? Nas horas e mesmo dias nublados?
      Não tenho números, mas avaliei a torre tendo 100 m de altura e 40 m de largura; são as proporções que a figura sugere. A área de coletores solares é mais ou menos equivalente à área da fachada da torre, ou seja, 4.000 m2, pouco mais de meio campo de futebol.
      Pelas minhas contas, faltariam 2,5 campos de futebol para manter a cascata funcionando.
      E a vila olímpica ficaria romanticamente à luz de velas?
      Já antevejo que nenhum record será quebrado…
      O papel aceita tudo…
      Abraços aos jornalistas e arquitetos sonhadores,
      Walter Laier

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