Inverde em eventos internacionais sobre Biodiversidade e Resiliência Urbana

Em maio fui a dois eventos internacionais. Ambos objetivaram discutir e trocar conhecimentos e experiências sobre o que tem sido feito em inúmeras cidades em todos os continentes nas questões de sustentabilidade urbana e de como planejar e adaptar cidades resilientes às mudanças climáticas (que já estão acontecendo).

O primeiro evento foi em Nagoya, no Japão cujo enfoque foi: a importância vital da biodiversidade urbana para a sustentabilidade das cidades. A conferência Urban Biodiversity and Design –Urbio 2010 –, organizada com o apoio da prefeitura da cidade, reuniu 460 pesquisadores, acadêmicos e profissionais de diversas áreas relacionadas ao planejamento urbano sustentável, com ênfase ao papel da biodiversidade e dos insubstituíveis serviços prestados pelos ecossistemas dentro e fora das cidades. Mais de 30 países foram representados, sendo eu a única da América Latina.

Fui convidada a participar de duas sessões. A primeira presidida pelo presidente da Associação Internacional de Ecologia Urbana,  r. Juegen Breuste da Universidade de Salzburg, na Áustria. O tema foi “Rede de ecossistemas e a qualidade de habitats dentro e entorno de áreas urbanas” (Ecosystem network and quality of habitats in and around the urban area).  Apresentei o trabalho “Proposta de uma infraestrutura verde multifuncional para proteger e aprimorar a biodiversidade no Rio de Janeiro” (A multiple function green infrastructure design to protect and improve native biodiversity in Rio de Janeiro). Esse trabalho apresenta a área da bacia hidrográfica dos rios do Portinho e Piracão, onde se localiza o último reduto de manguezal da cidade, protegido pela Reserva Biológica e Arqueológica de Guaratiba. A proposta teve uma grande repercussão devido à atualidade do tema da proteção e mesmo recomposição de manguezais para a proteção da biodiversidade e das cidades frente aos impactos causados pelas mudanças climáticas e a elevação do nível do mar. Além disso, também defende a proteção e continuidade da produção de alimentos em área urbana, um dos quesitos mais discutidos atualmente quando se fala em cidades sustentáveis e resilientes. Essa proteção encontrou eco na discussão central do evento que foi os “Satoyamas”, áreas de transição entre as cidades e as áreas naturais, onde se situam as áreas de cultivo de alimento e agro-florestas que fornecem produtos necessários para a sobrevivência humana.

Sessão de Abertura do URBIO 2010, no dia 19 de maio de 2010

O segundo trabalho foi apresentado na sessão presidida pelo presidente da Urbio, Dr. Norbert Mueller da Universidade de Erfurt, Alemanha. O tema foi “Influência do projeto da paisagem na biodiversidade” (Influence of landscape design on biodiversity). Apresentei a proposta Rio+Verde feita pela Inverde com enfoque na proteção e aprimoramento da biodiversidade urbana, com o título “Projeto de um corredor verde para proteger e aprimorar a biodiversidade no Rio de Janeiro” (A multiple use greenway design to protect and improve biodiversity in Rio de Janeiro). O interesse foi grande com muitas perguntas e novos convites para futuros eventos. A conferência foi encerrada com a publicação da Declaração de Nagoya que será apresentada na COP 10 de Outubro, que acontecerá no mesmo local da Conferência URBIO 2010.

Abertura do URBIO 2010 - Dr. Norbert Mueller presidente do UrbioFesta de Encerramento - Prefeito de Nagoya, Takehisa Matsubara

A seguir rumei para Bonn, na Alemanha para o primeiro Congresso das Cidades e a Adaptação às Mudanças Climáticas – Resilient Cities 2010, promovido pelo ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade (ONG). Foi um evento que reuniu não apenas pesquisadores e acadêmicos, mas gente que representa as cidades, que planeja e executa, que financia e que tem o poder de decidir. Foram mais de 500 participantes, com 140 apresentações. Aconteceu paralelamente o “Fórum dos Prefeitos para a Adaptação” (Mayors Adaptation Forum). Reuniu um número expressivo de apresentações de casos reais de cidades que estão se adaptando para as mudanças climáticas. Foram tantas apresentações que não deu para acompanhar tudo.

Prefeitos recebendo diplona de adesão às ãções à adaptação às mudanças climáticas

Apresentei a proposta do Rio+Verde, no painel “Tecido Urbano Inteligente” (Intellignet Urban Fabric). O enfoque foi no potencial que infraestrutura verde tem de desenvolver resiliência para enfrentar os impactos causados pelas mudanças climáticas. O título é “Infraestrutura verde como restratégia para restabelecer resiliência a uma bacia hidrográfica urbana” (Green infrastructure as a strategy to reinstate resilience to an urban watershed). O interesse também foi enorme, tendo esgotado o tempo para perguntas. A apresentação está disponível no site do evento, é só clicar nesse link http://resilient-cities.iclei.org/bonn2010/program/sunday-30-may/parallel-sessions-g/#c194

O Congresso foi encerrado com os prefeitos assinando um termo de compromisso e recebendo um diploma de adesão. A presença de Yvo de Boer (ex-Secretário Executivo das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas) no encerramento deu o tom da importância do Congresso. Os dois eventos podem ser acessados nos links abaixo.

 

Pronunciamento de Yvo de Boer na mesa de encerramento. No seu lado esquerdo na foto, Konrad-Otto Zimmermann, secretário-executivo do ICLEI. 30 de maio de 2010

No dia 12 de julho vou dar uma palestra para falar de minhas experiências nessa viagem que além de apresentar trabalhos foi também de pesquisa. Tenho muitos assuntos relativos à infraestrutura verde, sustentabilidade e resiliência urbana para a gente conversar. Até lá!

Cecilia Herzog

Nota: Ah! estou na foto das plenárias do congresso do ICLEI – http://migre.me/QX85 

http://www.jilac.jp/URBIO2010/doku.php

http://resilient-cities.iclei.org/bonn2010/home/

Sobre Cecilia Herzog
Lancei o livro CIDADES PARA TODOS: (RE)APRENDENDO A CONVIVER COM A NATUREZA em junho de 2013. Sou presidente cofundadora do Instituto INVERDE, onde atuo desde janeiro de 2009. O objetivo do INVERDE é educar, conscientizar e propor um novo paradigma de cidades sustentáveis e resilientes em harmonia com a natureza, baseado em inter e transdisciplinaridade. Durante os últimos quatro anos organizei os ciclos de palestras e mesas redondas INVERDE (com apoio da AMIGOS DO PARQUE NACIONAL DA TIJUCA no Parque Lage) sobre sustentabilidade das cidades, com palestrantes nacionais e internacionais. Organizo e dou, juntamente com Pierre-André Martin) semestralmente o curso de curta duração ‘Infraestrutura Verde para Cidades Sustentáveis’. Sou professora da PUC-Rio. Durante a assembleia durante o 1o. Congresso Mundial de Ecologia Urbana, organizado pela Society for Urban Ecology - SURE, fundamos o capítulo brasileiro do qual sou a presidente. Escrevo regularmente para o blog internacional The Nature of Cities, o qual reúne mais de 50 profissionais, pesquisadores e pessoas que de alguma forma estão ligadas à natureza nas cidades de praticamente todos os países do planeta.

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