*Artigos e Teses*

Devido à urgência do tema em debates na mídias, sobre a expansão da cidade do Rio de Janeiro, publicamos novamente a Dissertação de Mestrado (PROURB-UFRJ, 2009) de Cecilia Herzog sobre a necessidade de um plano integrado que proteja o patrimônio social e ecológico existente na área. Está disponível para baixar no link abaixo:

Guaratiba Verde: subsídios para o projeto de infraestrutura verde em área de expansão urbana na cidade do Rio de Janeiro

Cecilia Polacow Herzog

CECILIA_HERZOG_DIGITAL

Publicado novamente em 28.10.2013

====================================

Publicação do Observatório da Paisagem em Inglês PAISAGEM E EDUCAÇÃO – enviado por Martha Fajardo. Pode baixar no link abaixo:

PAISAGISMO-EDUCACAO

Publicado em 28.10.2013

======================================

Revista LabVerde no. 5

Veja o artigo de Lourdes Zunino Rosa (INVERDE) e Cecilia P. Herzog (INVERDE) e Ricardo Esteves (FAU-UFRJ) sobre MOBILIDADE URBANA NO RIO DE JANEIRO.

http://www.usp.br/fau/depprojeto/revistalabverde/artigos.html

Tem também o depoimento de Cecilia Herzog sobre as conferências sobre Biodiversidade Urbana que participou na Índia em outubro de 2012.

http://www.usp.br/fau/depprojeto/revistalabverde/depoimentos.html

postado em 04.02.2013

=================================

Saiu o segundo número da REVISTA LABVERDE

É uma iniciativa do laboratório LabVerde da FAU-USP.

o link para baixar a revista está abaixo.

http://www.revistalabverde.fau.usp.br/edicoes/ed02.pdf

o número 1 está no link

http://www.revistalabverde.fau.usp.br/edicoes/ed01.pdf

o endereço do site da Revista é http://www.revistalabverde.fau.usp.br/

Lá você encontra mais informações, entrevistas e a chamada para artigos para o terceiro número.

Postado em 06.10.2011, por Cecilia Herzog

========================================================================

Capítulo sobre INFRAESTRUTURA VERDE, de Cecilia Herzog, no “Cadernos Virtuais de Construção Sustentável” da Secretaria do Ambiente (SEA) do Estado do Rio de Janeiro, coordenado por Lourdes Zunino e editado pelo ICLEI.

SECAO IV_3_INFRA_VERDE_docfinal_rev

Confira a publicação que abrange todas as áreas para compras e construções sustentáveis nos sites

http://www.rj.gov.br/web/sea/exibeConteudo?article-id=373573 (visitado em 03.07.2011)

http://www.iclei.org/index.php?id=11591 (visitado em 03.07.2011)

===========================================================

Revista Labverde publica artigos sobre infraestrutura verde.

Tem um artigo e uma entrevista com Cecilia Herzog, presidente da Inverde.

veja no link: http://www.revistalabverde.fau.usp.br/

postado em 19.05.2011

=========================================================================

Artigo publicado no site VITRUVIUS

129.01 Rio de Janeiro RJ Brasil           ano 11, abr 2011

Revitalização ou maquiagem urbana?

Cecilia P. Herzog

sinopses

português
Cecilia P. Herzog fala do conceito de revitalização e seu entendimento do que deveria ser feito levando em consideração os mais diversos aspectos que envolvem essa ações desse cárater no âmbito da cidade do Rio de Janeiro

como citar

HERZOG, Cecilia P.. Revitalização ou maquiagem urbana?. Minha Cidade, São Paulo, 11.129, Vitruvius, abr 2011 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/11.129/3828&gt;.

Parque Chemin d’Ile, Nanterre, França
Foto Cecilia Herzog
Parque Chemin d’Ile, Nanterre, França
Foto Cecilia Herzog

Revitalização, segundo o dicionário Aurélio significa “Conjunto de medidas que visam criar novo grau de eficiência (para um) conjunto urbanístico, de uma região”. Atualmente, esse termo tem sido banalizado em intervenções urbanas apresentadas para a cidade do Rio de Janeiro, independentemente de ser realmente uma proposta eficiente, holística e sistêmica. A eficiência de uma revitalização passa pelos seus múltiplos usos e benefícios abióticos, bióticos e sócio-culturais concretos e inovadores, de modo a que venha a ter um alto desempenho e baixo impacto na paisagem no longo prazo. Em outras palavras, uma intervenção urbana deve prestar inúmeros benefícios além de lazer e recreação. Como por exemplo: minimizar enchentes e inundações; reduzir o escoamento superficial das águas das chuvas, promovendo sua filtragem antes de alcançar os corpos d’água, com a melhoria da qualidade do ar, das águas e do solo; contribuir para a captura de carbono e a amenização das temperaturas locais; fornecer habitat para a biodiversidade; melhorar as condições de uso de ciclovias sombreadas, com mais conforto e segurança, entre inúmeros outros.

A construção contínua de uma cidade sustentável e resiliente requer, antes de tudo, que haja de fato um processo participativo, transparente, e que possa ser monitorado com ampla visibilidade, para a sociedade organizada acompanhar o seu desenvolvimento. O que é um requisito do Estatuto das Cidades.

Nada mais acertado do que propor planos e projetos em escalas de bacias hidrográficas urbanas. Contudo, o estabelecimento de comitês gestores para as diversas bacias de drenagem da cidade não basta. Na reunião realizada em 10 de fevereiro, para a instalação do comitê gestor da orla da Lagoa, foi apresentada uma proposta de intervenção em pontos específicos, com o asfaltamento de 31 mil metros quadrados de ciclovias (1). Na abertura foi enfatizada gestão integrada e a visão holística. O que não se verifica na intervenção em si, que se propõe a dar soluções pontuais a uma área de altíssima visibilidade e estima, de toda a população carioca e de seus visitantes. Nesse encontro não houve abertura para contribuições, apenas aconteceram manifestações isoladas uma vez que a reunião foi só para a apresentação de idéias já prontas para implantação. Perde a cidade e seus moradores, que serão os financiadores de mais um projeto cosmético para uma área que se encontra em estado avançado de degradação, e que não considera o tremendo potencial paisagístico-ambiental que a área possui.

É uma grande oportunidade que se apresenta para levar o conceito de revitalização ao seu potencial máximo. O Rio tem qualidades paisagísticas que devem ser aprimoradas com projetos que tornem a cidade mais sustentável e resiliente (2). A participação efetiva de profissionais de diferentes campos de conhecimento e representantes dos diversos grupos que compõem a sociedade local é de fundamental relevância para que os investimentos feitos revitalizem a cidade em prol de seus moradores, em primeiro lugar. E com isso, possam atrair mais visitantes e investimentos. Perde-se o foco, ao se investir 8,3 milhões em uma maquiagem urbana, ao invés de ir mais fundo em busca de soluções multifuncionais de longo prazo. A revitalização da Lagoa não deveria ser apenas tratada como orla, mas sim como bacia contribuinte da Lagoa, com um planejamento para recomposição de seus cursos d’água, revisão do sistema viário como um todo, com a priorização de transporte de massa de qualidade e alternativo não poluente seguro e confortável (bicicletas e pedestres). O objetivo deve ser devolver a cidade para as pessoas, resgatar as áreas impermeabilizadas, quentes e poluídas transformando-as em áreas de convívio: entre as pessoas e a natureza, com projetos arrojados “século XXI”, baseados em conhecimento científico.

notas

1
Dado publicado em matéria do jornal O Globo, 24 fev. 2011.2
Dentre os muitos exemplos de sucesso, podemos citar o Parque Chemin d’Ile, em Nanterre, que se estende ao longo da margem do Senna como um corredor verde, com hortas urbanas sob a rede elétrica. O parque mimetiza os processos naturais, com o projeto de alagados construídos multifuncionais. Além de filtrar as águas poluídas de forma naturalizada, também oferece outros serviços ecossistêmicos como habitat de biodiversidade, amenização do clima, redução do ruído da auto-estrada que passa em cima, possibilita educação ambiental e contato direto das pessoas com os fluxos naturais ao dar visibilidade para os caminhos das águas sobre passarelas. Existem áreas de recreação e lazer ativo e outras para relaxamento e contemplação para todas as idades. Está conectado com outras áreas urbanas através de um corredor verde também multifuncional (veja as fotos)

sobre a autora

Cecilia Polacow Herzog é paisagista urbana, mestre em urbanismo, presidente da ONG Inverde

Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/11.129/3828

postado em 21.04.2011

==========================================================================

Dissertação de Mestrado PROURB-UFRJ 2009

Guaratiba Verde: subsídios para o projeto de infra-estrutura verde em área de expansão urbana na cidade do Rio de Janeiro

Cecilia Polacow Herzog

CECILIA_HERZOG_DIGITAL

=============================================================

Corredores verdes: expansão urbana sustentável através da articulação entre espaços livres, conservação ambiental e aspectos histórico-culturais 

 
 
 

Cecilia Polacow Herzog 

Acesse o pdf:

Corredores Verdes – Cecilia Herzog

=====================================================

Lançamentos imobiliários na Freguesia: consumo da habitação na hipermodernidade. O marketing do discurso verde e do lazer.

Por Gisela Verri de Santana

Tese (Doutorado em Psicologia Social) – Instituto de Psicologia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.

A Freguesia de Jacarepaguá, do Rio de Janeiro, nos últimos cinco anos recebeu mais de 80 lançamentos. Juntamente com a Barra da Tijuca, vem sendo um dos principais alvos do mercado imobiliário carioca, correspondendo a 95% das construções da cidade.

Tornou-se bairro na década de 1980. Nas últimas décadas, tem sido foco de expansão urbana. Foi escolhida como espaço privilegiado para a análise das construções e práticas discursivas do mercado imobiliário.

O objetivo foi entender o processo de comercialização e lançamento das habitações. Anúncios e materiais de propaganda de 52 empreendimentos permitiram identificar 21 grupos de discursos, ancorados em enunciados e imagens do verde, de famílias felizes e inúmeros itens de lazer que se constituíram em objetos de análise.

Novos conceitos e produtos habitacionais são postos no mercado com o uso de inúmeras táticas e estratégias, embasadas no imaginário carioca do verde local e no ideário da casa própria. O marketing dos discursos é utilizado como produtor de sentido sobre o consumidor, sujeito urbano hipermoderno, desejoso de segurança, maior qualidade de vida, sustentabilidade, novos luxos e facilidades a sua disposição.

O discurso sedutor é voltado para uma sociedade de consumo, onde inovações mercadológicas, crescentes facilidades financeiras e de crédito fomentam e retroalimentam o desejo e o sonho da casa própria. O crescente número de unidades lançadas estimula a concorrência, assume o posto de investimento lucrativo e fomenta a lógica de uma economia neoliberal.

Paradoxalmente, destrói a casa-oïkos planetária. A nova habitação ganha itens ecoeficientes, certificações ecológicas e itens de entretenimento, serviços e lazer que extrapolam as necessidades básicas de abrigo e proteção para atingir o encantamento e o novo status do público alvo: o consumidor da classe média.

PALAVRAS-CHAVE: Habitação. Consumo. Marketing Imobiliário. Bairro.

Sustentabilidade.

BREVE EM LIVRO. AGUARDEM!

====================================================

Núcleo IVE – URB*    Rio de Janeiro, Brazil

(IFLA Newsletter Issue 83 July 2009)

* antigo nome deste grupo, que a partir de Outubro de 2009 chama-se: “IN VERDE”

Cecilia P. Herzog, Landscape designer, Master in Urban Environmental Presentation, and Master (incomplete) in Urbanism, member of Núcleo IVE- URB 

Núcleo IVE – URB (Infraestrutura Verde e Sustentabilidade Urbana / Green Infrastructure and Urban Sustainability Group) is a forum to discuss, propose and educate about green infrastructure and urban sustainability in Rio de Janeiro, Brazil.

nucleoiveurb

Núcleo IVE – URB

Rio de Janeiro has one of the most impressive natural and cultural urban landscapes of the world. The skyline of the hills is remarkable. The contribution of landscape architect Roberto Burle Marx can be seen in most of the designed open spaces of the second half of the 20th Century. The city is an applicant for a UNESCO’s World Heritage Cultural Landscape.

The natural landscape has been heavily transformed during the urbanization process: hills were razed; wetlands, rivers, lagoons and the seashore were landfilled; and rivers and watercourses were straightened and channelized. Ecosystems have been annihilated. The massifs remain partly covered by the Atlantic Rainforest, mainly due to the decay of the 19th Century coffee production industry and the subsequent reforestation with native vegetation species in order to restore water resources. The main purpose of landscape intervention was to sanitize the city, to landfill the wetlands, and to create land for construction. Last century, mobility of the private automobile was prioritized.

The urban area is mostly limited by its natural boundaries: the Tijuca and Pedra Branca massifs, and the Atlantic Ocean and Guanabara and Sepetiba bays. The city, as for most large metropolises, is unsustainable, with floods and landslides happening almost every rainy season. The air, water, and soil are polluted. If the hills were not forested this hot tropical city could be significantly (around 6°C) warmer.

Traffic is heavy due to the number of private cars that keeps growing at a rapid pace because of inadequate alternative transportation systems. The lack of proper social housing drives the lower income residents to build illegally in protected sensitive areas, which contributes to deforestation and pollution. Rio has a natural green infrastructure that could be enhanced with high performance, low impact urban design implemented in public and private developments, in renovations or new projects.

A new proposal: Núcleo IVE-URB

We are a multidisciplinary team of three landscape architects, four architects, two entrepreneurs, an environmental manager and an advertising professional. We created the Núcleo IVE-URB (Green Infrastructure and Urban Sustainability Group) in January this year, inspired by Professor Jack Ahern’s lecture Green Infrastructure: Concepts and Strategies for Sustainability, which he presented in Rio in December 2008. We are collaborating to contribute to discussion of the city’s sustainable development. We work and research in a wide array of spheres: bamboo housing construction and sustainable architecture, ecological landscape occupation research, planning and design, alternative urban mobility, sustainable construction methods and debris disposal, solid waste recycling and reuse, and environmental education and communication.

Jack

All paying attention to Jack Ahern’s presentation

 

We have several long-term objectives:

to research and propose possible sustainable design solutions for open space in order to restore landscape functions and processes;

– to influence urban legislation and public policies;

– to educate and raise public awareness of environmental issues (such as the city’s remarkable and fragile landscape) and social issues;

– to support actions aiming to preserve and restore the Atlantic Rainforest and related ecosystem remnants;

– to contribute to lowering the city’s emissions of greenhouse gases through its buildings;

– to design landscape with an emphasis on alternative ecological transportation modes;

– to encourage tree planting in urban open spaces and reforestation of degraded areas. We are closely related to the NGO Amigos do Parque Nacional da Tijuca / Friends of the Federal Tijuca Forest Park that supports the park administration and represents the civil society.

In a short period of time, we have already achieved a number of goals:

The organization of six lectures on different topics related to urban sustainability, gathering more than 600 people.

– The development of a proposal for a Green Infrastructure plan for a drainage basin in a dense urban area, which will be presented at the IFLA World Congress to be held in Rio de Janeiro in October this year.

– The launching of a website meant to be a local reference on Green Infrastructure and Sustainable Urban Development, focused on state-of-the-art international and local projects and related information. In addition to informing about lectures and other Núcleo IVE-URB actions, it is intended to be a forum to discuss urban sustainability in its diverse aspects.

Future

We are all active professionals who work voluntarily to bring new ideas and concepts to the city agenda. We are motivated by the successful outcome and enthusiastic public response to our activities. Monthly lectures on related matters are scheduled for the second semester with local and international speakers. Some Núcleo IVE-URB members have been invited to participate as keynote speakers in out-of-town seminars. We believe that our work can contribute to the discussion about effective urban sustainable growth and improvement in a developing country.

For further information, see:

http://nucleoiveurb.net/

http://www.amigosdoparque.org.br/

Download IFLA Newsletter

See more: The Internecional Federation of Landscape Architects (IFLA)

E em Outubro no Rio de Janeiro: Congresso da Arquitetura Paisagística Mundial (46th IFLA WORLD CONGRESS)

 

capa_46th ifla wordl congress

====================================================

Sobre estética ecológica: Reflexões a partir de Rosa Kliass e Fernando Chacel

Por Cecilia Herzog, administradora de empresas e paisagista, mestre em urbanismo, membro do Núcleo IVE-URB de Infraestrutura Verde e Sustentabilidade Urbana e integrante da OSCIP “Amigos do Parque Nacional da Tijuca”.

cecilia1

Foto 1 – Edifício auto-sustentável do Alterra. Foto da autora

Em 21 de agosto de 2008 tive o privilégio de assistir, no IAB – Rio de Janeiro, a uma mesa redonda com dois dos maiores paisagistas brasileiros: Rosa Grena Kliass e Fernando Chacel. Foi um encontro onde os dois profissionais responsáveis pelo desenvolvimento do ofício no país discutiram vários aspectos de seus projetos e chegaram a reflexões sobre o papel do paisagista na cena contemporânea, e do potencial do paisagismo para colaborar com a sustentabilidade das cidades.

cecilia2

Foto 2 – Vista parcial de seu entorno, Wageningen University and Research Center, Holanda. Foto da autora

Assistimos hoje à massificação de projetos que atendem a um mercado imobiliário que oferece os mesmos “produtos” em qualquer lugar do país. Como disse Rosa: “não pode haver uma demanda de qualidade se não houver uma oferta de qualidade”. Pode-se encontrar em quase qualquer lugar do mundo os mesmos padrões estéticos, é a globalização descaracterizando a diversidade e tirando o “espírito do lugar” dos lugares. Essa pasteurização estética que já não é mais só importada da França ou da Inglaterra, mas globalizada, tem fortes impactos nos ecossistemas locais, na biodiversidade e na aniquilação da cultura local. Segundo Rosa: “os projetos precisam ter significados, senão vira tudo Disneylândia”.

cecilia3

Foto 3 – Vista do Landschaftspark Park, Duisburg, Alemanha. O rio Emscher foi recuperado e hoje é um rio vivo. Foto da autora

 cecilia4

Foto 4 – Vista do Landschaftspark Park, Duisburg, Alemanha. O rio Emscher foi recuperado e hoje é um rio vivo. Foto da autora

 

Chacel destacou que o paisagista possui um novo e importante papel para a sustentabilidade do planeta. Enfatizou que não basta fazer jardins com finalidades “cosméticas”, mas há que se olhar e trabalhar com a paisagem, a partir de um conhecimento holístico, integrado. Projetar a paisagem, nas suas diversas escalas, juntamente com profissionais de diversas especialidades de forma pluri, inter e trans-disciplinar. Conhecer o suporte físico (geomorfologia, hidrologia, solos etc.) e os ecossistemas associados (considerando flora e fauna) é fundamental para atuar de forma consciente e sustentável ao longo do tempo. Não se pode mais, nesse novo milênio, fazer apenas jardins “cosméticos”. Ele acredita que existe uma estética ecológica, caótica. Afirmou que essa nova estética não é nada do que fez até agora, mas está certo de que ela virá.

cecilia5

Foto 5 – Vista do Landschaftspark Park, Duisburg, Alemanha. O rio Emscher foi recuperado e hoje é um rio vivo. Foto da autora

cecilia6

Foto 6 – Vista do Landschaftspark Park, Duisburg, Alemanha. O rio Emscher foi recuperado e hoje é um rio vivo. Foto da autora

A partir disso, passei a refletir sobre o que vi e aprendi ao participar de dois eventos multidisciplinares internacionais:

– 7th IALE World Congress 2007 – Congresso de Ecologia da Paisagem Mundial, em Wageningen, Holanda, em julho de 2007;

– URBIO2008, Third Conference of the Competence Network Urban Ecology – Urban Biodiversity & Design – Implementing the Convention on Biological Diversity in towns and cities, em Erfurt, Alemanha, em maio desse ano.

 

No congresso do IALE (International Association of Landscape Ecology), tive a oportunidade de assistir a inúmeras palestras e apresentações de trabalhos de profissionais de diversos países de áreas relacionadas com a paisagem. Muitos dos mais importantes pesquisadores dessa área estavam presentes, como Zonneveld, Forman, Opdam, entre incontáveis outros. Também participaram pesquisadores brasileiros como Ana Luiza Coelho Netto, do Geoheco-UFRJ, Jean Paul Metzger e Vânia Pivello, da Ecologia da USP, com suas respectivas equipes. Estavam presentes também renomados paisagistas que atuam em inúmeros países, onde o Brasil foi representado por Paulo Pellegrino, da FAU-USP. Entre os estrangeiros, vale destacar Joan Nassauer, Jack Ahern, Junsuk Koh, Kongjiang Yu entre muitos outros.

cecilia7

Foto 7 – Lagoa de captação e retenção de águas das chuvas – Landscape Education Park, University of Applied Sciences Erfurt, Alemanha. Foto da autora

 

A cidade de Wageningen, onde aconteceu o congresso, é o centro da Ecologia. Isso se reflete nas ruas, praças e parques. O centro de convenções onde ocorreu o congresso é uma construção ecológica, que fica camuflada pela vegetação, e só é notada quando se está de frente para ela. Foi o meu primeiro contato real com a estética ecológica, que está presente em praticamente todos os lugares.

Além das discussões sobre Ecologia da Paisagem, aconteceu uma jornada sobre Ecologia Urbana, onde se debateu a importância do projeto paisagístico ecológico em áreas urbanas, consolidadas ou não. Pesquisas estão sendo feitas em diversos países, e paisagistas desempenham um importante papel nesse cenário. Esse evento aconteceu numa edificação construída para ser auto-sustentável, o que inclui o seu entorno com um grande jardim naturalístico. A nova estética ecológica também está presente (Fotos 1 e 2).

cecilia8

Foto 8 – Experiência com materiais drenantes locais e reciclados para áreas externas. Foto da autora

Após o congresso fomos visitar o projeto do Landschaftspark Park de Peter Latz, em Duisburg na Alemanha. Trata-se de uma siderúrgica desativada na bacia do rio Emscher, tributário da bacia do Rhur, que por sua vez é contribuinte da bacia do Reno. Esse projeto data de 1991. Sem mexer nas construções existentes que foram utilizadas como equipamentos do parque, muitos surpreendentes, como fazer mergulho de profundidade na antiga torre de reservatório de gás. Latz deixou que a água entrasse e tirou partido disso. A vegetação foi introduzida visando a ecologia do local, a biodiversidade, o tratamento das águas do rio. Hoje o rio é novamente um rio vivo. A nova estética ecológica, a do caos também está presente nesse projeto (Fotos 3, 4, 5, e 6). O parque é parte de um projeto integrado de restauração da bacia do rio Rhur, uma das áreas mais degradadas da Alemanha, que hoje atrai turistas de todo o mundo com seus projetos inovadores.

 cecilia9

Foto 9 – Estacionamento experimental. Landscape Education Park, University of Applied Sciences Erfurt, Alemanha. Foto da autora

 

O evento de biodiversidade urbana na Alemanha, em maio último, começou com uma visita a um parque para a educação sobre a paisagem (Landscape Education Park University of Applied Sciences Erfurt). Uma parte do parque é uma espécie de mini jardim botânico com fins de experiências estéticas com plantas locais. A outra parte é destinada a experiências de sustentabilidade da paisagem em diversas situações, como áreas de estacionamento, calçadas, caminhos, grande áreas abertas, outras arborizadas e ajardinadas Fotos 8 e 9). Leva em conta não só a questão da biodiversidade, mas da drenagem, da reciclagem de materiais para uso em áreas externas. Aí também se pode identificar a estética ecológica, e é surpreendente como pode ser bela, apesar do aparente caos (Fotos 7).

Esse encontro contou com pesquisadores e profissionais de diversas áreas relacionadas com a biodiversidade urbana. Um dos tópicos foi coordenado por uma paisagista russa, radicada na Nova Zelândia, Maria Ignatieva. Como o foco era a biodiversidade, a ênfase foi em pesquisas e projetos que dão sustentabilidade à vida, não só fauna e flora, mas em última instância do próprio homem. Mais de 250 trabalhos foram apresentados, representando mais de 50 países de locais tão diferentes como Indonésia, Romênia, África do Sul e Índia.

cecilia10

Foto 10 – Renaturalização de rio Gera, Erfurt, Alemanha

 

A paisagem da cidade de Erfurt, onde se realizou esse evento está sendo renaturalizada, seus rios estão sendo reabertos e despoluídos, vegetação exótica invasora erradicada, a drenagem tratada de forma mais natural, com respeito pelos canais naturais. Aqui também pode-se ver a estética ecológica. A busca pela associação das espécies como se encontram nos ecossistemas naturais, com o emprego da fito-sociologia vegetal nos projetos paisagísticos (Foto 10).

O parque Shöneberger Sudgelände, em Berlim é um exemplo do que vem sendo feito no país. Fica ao sul da cidade, onde existia o entroncamento da malha ferroviária, que foi desativada e ficou abandonada por mais de 40 anos. Essa área iria ser ocupada por uma nova estação ferroviária, mas felizmente foi transformada em um parque ecológico. No master plan ÖkoCon & Planlands tiraram partido da regeneração natural da vegetação, mantiveram as estruturas remanescentes e transformaram num parque de grande visitação pela população local, além de se tornar um ponto de atração turística (Fotos 11 e 12).

cecilia11

Foto 11 – Shöneberger Sudgelände, Berlim, Alemanha. Foto da autora

 

Esses casos ilustram a atualidade e o pioneirismo de Chacel e Rosa no contexto paisagístico brasileiro. Tanto os projetos de Rosa Kliass para o Parque da Juventude em São Paulo, e o Mangal das Garças, em Belém, como os projetos ecogenéticos de Chacel nos fazem refletir sobre o papel do paisagismo na recuperação e sustentabilidade de nossas paisagens urbanas e rurais. O conhecimento e criatividade combinados com humildade e lucidez, de Rosa e Chacel, devem ser amplificados para que possam iluminar os caminhos do paisagismo no país, através das sementes e frutos por eles gerados.

cecilia12

Foto 12 – Shöneberger Sudgelände, Berlim, Alemanha. Foto da autora

Fonte, referência bibliográfica e links, acesse aqui

====================================================

Urbanismo ecológico: tema de conferência internacional na Universidade de Harvard

Por Cecilia Herzog, administradora de empresas e paisagista, mestre em urbanismo, membro do Núcleo IVE-URB de Infraestrutura Verde e Sustentabilidade Urbana e integrante da OSCIP “Amigos do Parque Nacional da Tijuca”.

arq109_00_01

Smart City Car, William Mitchell. Desenho de Franco Vairani. Fonte MIT Media Lab / William J. Mitchell

No início de abril de 2009 a Escola de Pós-Graduação em Design (GSD – Graduate School of Design) da Universidade de Harvard, em Cambridge, organizou uma conferência para discutir o que é, quais os rumos, e o que pode significar Urbanismo Ecológico no futuro (1). Foram disponibilizadas 180 inscrições que se esgotaram quase imediatamente. Participantes e palestrantes de inúmeros países estiveram presentes.

A conferência reuniu um número expressivo de renomados cientistas, pesquisadores, profissionais e estudantes de diversos campos do conhecimento, como: planejadores urbanos e regionais, urbanistas, arquitetos, paisagistas, ecólogos, engenheiros, especialistas em saúde pública e economistas. Participaram também políticos locais.

arq109_00_02

Mesa de abertura da esquerda para a direita: Nancy Krieger, Toshiko Mori, Donald Swearer, Ed Glaeser, Lizabeth Cohen, Richard Forman, Lawrence Buell e Alex Krieger. Foto da autora

O evento começou com duas palestras introdutórias, sobre a situação da vizinha cidade de Boston. A primeira, dada por Alex Krieger, abordou a história da ocupação do estuário do Rio Charles e os impactos ambientais que causou. Em seguida foi feita a apresentação de um “Plano Verde” para renovar Boston. O plano deverá ser implementado nas próximas décadas. Para isso, foi lançado no dia 30 de março o plano “Renew Boston” (Renova Boston) e o Boston Climate Action Leadership Commitee (Comitê de Liderança para Ações Climáticas de Boston), com a presença de Al Gore. O plano é inovador, conta com parcerias público-privadas e um investimento federal inicial de 6, 5 milhões de dólares que deverá transformar a cidade em referência de desenvolvimento sustentável. O prefeito Thomas Menino abriu os trabalhos da conferência no dia 3 de abril. Vale ressaltar que o primeiro projeto paisagístico com cunho ambiental que visava sustentabilidade urbana foi feito e parcialmente implementado por Frederick Law Olmested, ainda no século XIX.

A apresentação de projetos para enfrentar os problemas causados pelas mudanças climáticas e aumento do nível do mar dominou as discussões, que foram distribuídas em mesas redondas, painéis e palestras individuais. Na abertura da conferência Mohsen Mostafavi, diretor da escola, enfatizou o comprometimento de Harvard em estar na pesquisa de ponta da sustentabilidade das cidades, das paisagens e das infraestruturas. Com especial atenção à questão ambiental para mitigar problemas existentes e os que serão causados pelo aquecimento global em áreas consolidadas, além de discutir novas possibilidades de ocupação sustentável para áreas de expansão. Levantou também como o urbanismo ecológico pode contribuir para espaços democráticos, que acomodem conflitos e discordâncias. Afirmou ainda que, para ser ecológico o urbanismo deve respeitar o passado, planejar e projetar espaços urbanos que respondam às necessidades de sustentabilidade da sociedade atual.

A tônica da interdisciplinaridade do evento foi dada logo na mesa redonda inicial. Diversas áreas do conhecimento foram representadas por renomados profissionais e cientistas: Literatura – Prof. Lawrence Buell, procura compreender através de metáforas questões históricas e ambientais; Ecologia da Paisagem – Prof. Richard Forman, é referência mundial nessa área, tem focado na ecologia da paisagem de diferentes regiões urbanas do mundo; História – Prof. Lizabeth Cohen, enfoca o consumo e o meio ambiente, como a cultura influencia a história política e como as cidades podem se sustentáveis para se viver, trabalhar e divertir; Economia – Prof. Ed Glaeser, pesquisa como as cidades podem ser economicamente sustentáveis; Saúde Pública – Prof. Nancy Krieger, enfoca a saúde igualitária onde o ambiente físico e social tem importância ecológica fundamental, holística; Arquitetura – Toshiko Mori, desenvolve projetos de edifícios verdes em diversos países; Religião – Donald Swerer, professor e pesquisador de Estudos Budistas, defende que valores e ética façam parte da agenda da sustentabilidade. Alex Krieger, planejador e designer urbano, foi o mediador da mesa.

A discussão de alguns caminhos indicados pelos diálogos para o Urbanismo Ecológico foram: a densificação em grande parte das situações, pois possibilitam áreas permeáveis com vegetação arbórea de preferência nativa, para favorecer a biodiversidade; espaços muito projetados em geral são barreiras ao desenvolvimento de biodiversidade; baixas densidades podem ser interessantes para áreas de transição com ecossistemas preservados; espaços urbanos de convivência são essenciais para congregar as pessoas; políticas públicas têm a função de induzir as pessoas a fazer escolhas que causem menos danos ecológicos.

Leia o artigo completo e veja mais imagens: aqui

………………………………………………………………………………………………….

Parque Vivencial da Mobilidade Sustentável: Uma Ferramenta Educacional e de Lazer

Por Lourdes Zunino, arquiteta com mestrado em Conforto Ambiental pelo PROARQ da FAU/UFRJ e doutorado pelo Programa de Engenharia de Transportes da COPPE/UFRJ, com o tema “Ferramenta educacional para mobilidade sustentável: bairro modelo” e membro do Núcleo IVE-URB de Infraestrutura Verde e Sustentabilidade Urbana

estaçao acolha copy

RESUMO

Este artigo propõe fundamentos, critérios e diretrizes para implementação de um espaço vivencial de educação para mobilidade sustentável em que se apliquem, produzam e discutam os conceitos básicos da concepção contemporânea de mobilidade urbana, mais adequada ao contexto social, político, econômico e cultural em que, hoje, estamos inseridos.

A ferramenta sistematiza-se em três escalas: bairro, centro de bairro e módulo mínimo, considerando variáveis locais e envolvimento da comunidade. A partir da revisão da literatura e práticas disponíveis conclui-se que o enfoque da educação para o trânsito hoje, não deve ser mais a formação de futuros motoristas e sim de futuros cidadãos que valorizam a cooperação, o transporte não motorizado e o transporte público, como conseqüência da reflexão crítica sobre a racionalização de insumos e sua finitude, na busca de cidades mais sustentáveis.

Leia o artigo completo e veja mais imagens: aqui

Leia a tese completa: aqui

A seguir algumas pranchas do Concurso Nacional de Urbanismo promovido pelo IAB em 2003 que originaram a tese…

PRANCHA-1-iab

PRANCHA-2-iab

PRANCHA-6-iab

Cecilia Polacow Herzog

 Acesse o pdf: 

2 Responses to *Artigos e Teses*

  1. Virginia Palhano de Alcantara disse:

    Muito bons estes temas abordados!
    Parabéns!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: