Protesto limpo

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Uma equipe de reportagem da RBS TV flagrou jovens protestando contra a poluição com uma mensagem na parede do Túnel da Conceição,
no centro de Porto Alegre, durante a madrugada. Guarda Municipal e Brigada Militar abordaram o grupo e chegaram a algemar alguns deles
por suspeita de que estivessem pichando o local.

Mas, no lugar de tinta, spray e pincéis, eles tinham vassouras, água e detergente.

A mensagem que parecia ter sido escrita na parede havia sido
criada a partir da limpeza da fuligem acumulada.

— Essa é uma sujeira que a pessoa passa e se acostuma a ver. Só que ela não percebe que isso é sujeira, que esse preto é fuligem dos carros.
Isso ajuda a mostrar que cada vez ela tá passando em um lugar mais poluído sem perceber e que piora a saúde da população inteira — explica Felipe Vincensi.

Depois de esclarecido o mal entendido, o grupo de estudantes foi liberado e continuou a limpeza, com autorização da Brigada Militar.

— Verificamos que não era pichação. Que eles estavam limpando a parede, escrevendo “Por uma Porto Alegre limpa”. Eles foram orientados
e vão continuar com esse protesto de limpeza. Eles não estão fazendo um ato de vandalismo — afirmou o sargento Gilberto Luís Vaz.

A mensagem deve continuar na parede até que alguém decida limpá-la ou a fuligem volte a cobrir a escrita.
— A pichação suja a cidade e deixa ela feia. A gente queria mostrar de uma outra maneira que é possível passar uma mensagem para
a população — justificou o estudante Eduardo Biermann.

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Faxina urbana
 

Com um pano na mão e uma idéia na cabeça, o artista plástico Alexandre Órion transformou um túnel de São Paulo em um alerta sobre a poluição – e uma catacumba urbana – usando como arma um pano úmido


Por Bruna Malburg

Durante 13 madrugadas seguidas, Alexandre Órion, 27 anos, cumpriu o mesmo ritual. Usando um respirador, chegava ao túnel Max Feffer – que liga a avenida Europa à avenida Cidade Jardim, em São Paulo – pela via, instalava-se no único corredor para pedestres que a passagem possui e durante quase oito horas percorria em um movimento quase coreográfico sua parede.

Em um túnel monitorado por câmeras, é quase impossível registrar qualquer mensagem por ali. Ainda assim, milhares de caveiras foram desenhadas, insinuando um sítio arqueológico urbano. E o mais legal disso é que no lugar da previsível lata de spray Alexandre usava apenas um pano úmido, com o qual retirava a fuligem da parede e desenhava as tais caveiras.

A idéia surgiu quando Órion reparou que as paredes do túnel, originalmente amarelas, estavam completamente pretas meses depois da inauguração. “Fiquei intrigado com aquilo, achando que talvez fosse por causa do material.” Parou para tirar a prova: era fuligem acumulada. “Sabia que podia fazer alguma coisa, tinha descoberto uma possibilidade técnica.” Sim, era possível usar a poluição como matéria-prima para tratar dela mesma. “Se eu removesse a fuligem, sobrariam crânios, como um sítio arqueológico.” A simulação de uma caverna também casava-se muito bem com um lugar que não foi construído para pedestres. “Acho curioso você pensar em um modelo de cidade onde vários lugares são destinados ao carro, que te exclui. É elitista.”

As pessoas o questionavam sobre a escolha dos crânios. “Era uma mensagem agressiva, mas não era gratuita ou irresponsável. Tinha fundamento. Talvez se tivesse colocado flores elas estariam lá até agora, não teriam incomodado ninguém. Mas seria passar a mão na cabeça, seria dizer: ‘Continuem poluindo que eu faço flores'”, conta.

A escolha daquele túnel era proposital por levar ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. As visitas da polícia eram constantes, desde a primeira madrugada. “O curioso era ver a desconstrução da autoridade. Toda primeira abordagem tinha uma postura agressiva: ‘O que você está fazendo?’, eles perguntavam. Eu respondia que estava limpando, bem provocador mesmo. Eles duvidavam e eu mostrava o pano para provar. A autoridade sumia, porque era realmente curioso ver 200 metros de crânio e perceber que aquilo era somente limpeza.”

BORRACHA
Na metade da 13ª madrugada, três caminhões-pipa da prefeitura apagaram somente os 300 metros (cerca de 3.500 caveiras) desenhados por Alexandre. “Eles não queriam meu trabalho lá. Tentaram me impedir e não conseguiram, porque limpar não é crime, mas cometeram um outro, que é o da censura.” Com a limpeza, ele partiu então para outro túnel, o da avenida Rebouças, bem próximo dali. “As pessoas falam que meu projeto deu certo porque decidiram limpar o túnel. Mas limpar não basta. É dizer: ‘Pode continuar sujando que a gente vai limpar’. A questão é parar de poluir”, diz.

As caveiras são apenas uma etapa de um projeto maior. “Estou trabalhando em algo que fala de poluição em vários sentidos.” Órion está usando a fuligem que recolheu do túnel para um outro trabalho. Dos panos que usou para desenhar as caveiras, decantou a fuligem e criou tinta para telas que ele pinta atualmente. “Por subtração, eu fiz o trabalho do túnel. Por adição, eu estou usando a mesma fuligem nas telas e falando de vida.”

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Desconexão horizontal e vertical

Por Cecilia Herzog, Paisagista, especialista em Preservação Ambiental da Cidade, mestre em Urbanismo, pesquisadora em Infraestrutura Verde e Ecologia Urbana. Diretora da Inverde e Conselheira da Associação Amigos do Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro.

Nessa segunda década do século XXI o tema é conexão. Conexão das pessoas entre si, com a natureza, com a sua cultura, com a sua paisagem e sua cidade. Conexão entre fragmentos de florestas para conservar a biodiversidade. A conexão não é só virtual, o movimento é para que seja real. Aconteça em espaços urbanos vivos, verdes, arborizados, belos e saudáveis com ar limpo.

No entanto, aqui no Rio de Janeiro os tomadores de decisão estão desconectados horizontalmente do movimento de grande parte das cidades do planeta, que busca se conectar com suas bases naturais (geobiofísicas) e sociais (seus moradores). E verticalmente: desconectados do suporte do qual a cidade e seus habitantes dependem para viver: geológico, hidrológico e biológico. 

A cada dia fica mais evidente essa desconexão total. É só ler os jornais. Para que ouvir técnicos da própria prefeitura? Para que ouvir os cientistas que pesquisam nossos morros e rios? Para que ouvir a população? Audiências públicas transparentes e participativas atrapalham os planos do governo. Alguns têm essa mania de questionar, de perguntar por que, quem vai se beneficiar com isso, quais as consequências futuras, que cidade vamos deixar para nossos netos e bisnetos. Como será a temperatura da cidade com menos florestas ainda? Qual a estabilidade dessas casas que serão construídas nas encostas? E nas baixadas alagáveis? Quais as perdas que virão?

Cidades antenadas com o presente e de olho no futuro discutem, pesquisam, implantam novas soluções para ver o que vai dar certo, de modo a se adaptar e amenizar as conseqüências causadas pelas mudanças climáticas. Aqui, nossos administradores pensam em como ocupar mais. Em tempos de cidades compactas sustentáveis, pensam e promovem a expansão urbana (agora de forma ordenada, formal – sob a orientação do Plano Diretor).

Subida do nível do mar? Não aqui. Vamos liberar as baixadas alagadas e áreas alagáveis para o mercado imobiliário nas Vargens. Vamos abrir um túnel sob o Parque Estadual da Pedra Branca que sai sobre o manguezal protegido pela Reserva Arqueológica e Biológica de Guaratiba. A estrada será duplicada sobre esse ecossistema que é um patrimônio natural que deveria ser preservado a todo custo, não apenas para as próximas gerações, mas para essa mesmo. O manguezal presta serviços ecológicos insubstituíveis. Quando irão acontecer as audiências públicas? Quem vai fazer um Estudo de Impacto Ambiental condizente com o último reduto desse ecossistema tão precioso? O que foi feito é raso, estava arquivado na biblioteca da antiga Feema, para quem quiser dar uma olhada. Alguém foi lá na área ver as conseqüências da chuva de abril? Deveriam ir conversar com os moradores mais antigos, iriam pensar melhor em liberar a área para mais loteamentos.

Não tenham dúvidas novas tragédias virão. Quem vai assinar os atestados dos óbitos que certamente irão ocorrer serão os tomadores de decisão de hoje. Vamos fazer um esforço de memória e anotar os nomes dos responsáveis por esses novos assaltos aos nossos ecossistemas que prestam serviços ecológicos vitais e insubstituíveis. Perguntem ao prefeito de Durban o que está fazendo pela sua cidade. Ou ao da cidade do México, ou de várias outras que compõem o Conselho Mundial de Prefeitos para as Mudanças Climáticas. Eles estão administrando suas cidades com responsabilidade em busca de soluções para problemas que já está acontecendo e que seguramente só irão se agravar.

Cecilia Polacow Herzog

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Noutro planeta

Por Cecilia Herzog, Paisagista, especialista em Preservação Ambiental da Cidade, mestre em Urbanismo, pesquisadora em Infraestrutura Verde e Ecologia Urbana. Diretora da Inverde e Conselheira da Associação Amigos do Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro.

Depois de passar um mês viajando pelo mundo em pesquisa sobre melhores possibilidades para a vida nas cidades chego ao Brasil e, em duas semanas tenho a impressão de ter desembarcado não em outro país, mas em outro planeta.

Como escrevi ontem, as apresentações e discussões nos eventos em que participei foram sobre como planejar e adaptar cidades que contemplem a convivência das pessoas e da natureza. Os serviços ecológicos são fundamentais para a qualidade de vida das pessoas. E não foi só em slides, não. Eu vi isso acontecendo em Freiburg, na Alemanha. A infraestrutura verde lá funciona. As águas das chuvas são infiltradas em jardins-de-chuva, biovaleta e lagoas de detenção. As áreas verdes de lazer  e circulação proporcionam recreação saudável e transporte limpo. Dá pra andar a pé e de bicicleta longe de carros, ao longo do rio e pelas ruas das cidades. A energia solar está em toda a Alemanha que visitei, e não foi pouco.

No Japão, áreas produtivas de transição entre as cidades e áreas naturais, com cultivos de alimentos, como arroz e agroflorestas para produção de móveis, são conhecidas como Satoyama.  Estão sendo introduzidas em parques no meio das cidades. Os Satoyamas são áreas híbridas: naturais com grande biodiversidade, de produção e de lazer e recreação, educação ambiental e cultural. Mantêm os hábitos milenares, pessoas de todas as idades freqüentam e se envolvem nas atividades propostas.

Já no Rio de Janeiro, as matérias das últimas semanas sobre o novo Plano Diretor da cidade e as alterações no Código Florestal me deram um choque de realidade. Parece que aqui não vai acontecer nada do que está já acontecendo no resto do planeta. A discussão é como construir mais à beira-mar. Além do PEU (Plano de Estruturação Urbano) Vargens que permite a construção em áreas alagáveis da baixada de Jacarepaguá, e da abertura do túnel da Grota Funda com a duplicação da estrada sobre o manguezal protegido pela Reserva Biológica em áreas sujeitas a inundação e deslizamentos. Provavelmente o país já detém uma tecnologia exclusiva para conter a elevação do nível do mar em nossa costa. Parece que essa mania de proteger Áreas de Preservação Permanente, como matas ciliares, encostas íngremes e topos de morro, é que atrapalha o nosso desenvolvimento. É muito melhor abrir estradas, incentivar vender mais e mais carros, construir a usina de Belo Monte não importa como, expandir a fronteira agrícola e o desmatamento sobre os ecossistemas e aqüíferos para dar lugar a mais desenvolvimento econômico a qualquer custo.

A visão de curto prazo de nossos administradores públicos e legisladores já nos colocam problemas da maior gravidade, como a péssima qualidade de vida, a poluição generalizada das águas, do ar e do solo, doenças decorrentes de vida sedentária e contaminação,o aumento da obesidade,  a perda de biodiversidade e ecossistemas que contenham encostas e evitem enchentes, só para citar alguns. Os resultados dessa miopia podem ser medidos por diversos indicadores e manchetes de jornais.

Até quando nós brasileiros iremos ficar satisfeitos só por ter um carro novo? Está na hora de pensarmos que a sociedade de consumo individualista pode se transformar na sociedade do bem-estar, onde melhor do que possuir bens é ter uma vida saudável e em comunidade, com cultura e em contato com a natureza. Vale ressaltar que no Brasil também somos parte da natureza e dependemos dela.

De galho em galho

Postado por Daniela Kussama. Artigo escrito por Gilberto Dimenstein, do Aprendiz

Ipê-roxo (Tabebuia sp) - Pacaembu - foto de Juliana Gatti

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A designer Juliana Gatti anda pelas ruas, seguida por um grupo de curiosos interessados em conhecer as árvores da cidade de São Paulo. Vistos ao longe, eles parecem apenas fazer um passeio turístico. Mas esse é um novo tipo de turismo.

Nessas caminhadas, ela testa uma nova profissão, ainda não ensinada nas faculdades: guia de árvores num centro urbano.

Essa experiência profissional é uma volta à infância e à adolescência, quando Juliana passava quase todas as férias no sítio de seu avô em Tietê, cidade do interior de São Paulo. “Para mim, bastava ficar sentada debaixo das árvores brincando.”

Conseguia até reproduzir um pouco dessa sensação fora das férias. Estudava numa escola (Santa Marcelina) em Pinheiros, onde havia um bosque. Era onde ela gostava de ficar lendo, sentada na terra.

Seguiu a carreira de designer, na qual já fez de tudo um pouco: cenografia, móveis, jóias, cartazes, vinhetas para televisão e até roupas. Também chegou a promover eventos.

Flores de cerejeira-do-japão / sakura / Prunus serrulata - foto Luciano Ogura

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Foi, entretanto, no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), onde trabalhou na análise de madeiras, que despertou sua curiosidade por conhecer as árvores de que se originava o material que chegava às suas mãos. “Percebi, então, que não conhecia as árvores da minha própria cidade.”

Percebeu também que quase ninguém conhecia o mínimo da flora paulistana. Resolveu, então, redesenhar sua carreira.

Juliana montou um grupo com um arquiteto, uma paisagista e uma bióloga para formatar os passeios, convidando crianças, adolescentes e pessoas da terceira idade a integrá-lo. Criaram, então, o projeto Árvores Vivas. Escolas e, mais recentemente, unidades do Sesc começaram a chamá-la. Na próxima semana, em companhia de seus alunos, ela vai fazer um reconhecimento da região em torno do Sesc Consolação, onde há um esforço comunitário para plantar árvores.

As caminhadas se converteram num projeto digital. Durante todo o trajeto, são tiradas fotos das árvores tanto pelos alunos como pelos monitores. As centenas de fotos das árvores estão sendo inseridas em mapas na internet. Montou-se um mapa das árvores, facilmente localizáveis pelo computador. “Descobrimos que poderíamos compartilhar nossas caminhadas.”

Juliana ainda não sabe se vai conseguir manter a sustentabilidade do projeto, mas, pelo menos, está gostando -e muito- do que vem fazendo. “Enfim, acho que descobri minha paixão.” Antes, sentia-se confusa profissionalmente e “pulando de galho em galho”.

Conseguiu trazer para seu trabalho um pouco do sítio de seu avô. Com a diferença de que agora as férias não precisam acabar.

Veja mais fotos em: Mapa das Árvores

Fonte: Envolverde

Metodologia pode ajudar a prevenir cheias em rios urbanos

Postado por Daniela Kussama

Enchentes e deslizamentos, que acontecem principalmente em épocas de chuvas, podem ser minimizados se os administradores públicos tiverem em mãos ferramentas que os auxiliem a prever cenários futuros e a tomarem decisões mais precisas. Utilizando um Sistema de Informação Geográfica (SIG) o engenheiro Sidnei Ono desenvolveu uma metodologia que permite ações preventivas em regiões de risco. O Sistema de Suporte a Decisão para Gestão de Água Urbana – URBSSD é um software que permite elaborar estratégias preventivas em bacias urbanas. “A metodologia pode ser um importante suporte à tomada de decisões em tudo que se refere à água urbana superficial”, define Ono.

O estudo do engenheiro está inserido numa outra iniciativa da Poli, o Projeto Cabuçu de Baixo, que foi coordenado pelo professor Mario Thadeu Leme de Barros, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Poli, orientador de Ono em seu mestrado.

A bacia hidrográfica do Rio Cabuçu está localizada na Zona Norte de São Paulo. O rio Cabuçu é afluente do Tietê pela sua margem direita, tendo suas nascentes junto à Serra da Cantareira. A área de drenagem é da ordem de 42 quilômetros quadrados.

A bacia hidrográfica do Rio Cabuçu de Baixo é um exemplo típico do que tem ocorrido em muitas cidades brasileiras. É uma bacia em acelerado processo de urbanização, mas que ainda dispõe de condições de controle, se adequadamente administrada pelos seus gestores. E foi lá que, a partir de 2002, Ono iniciou seus estudos para a elaboração do URBSSD. “Trata-se de uma metodologia que pode ser aplicada em outras regiões. Para tanto, basta que o software seja devidamente ajustado com os dados do local a ser monitorado”, esclarece o engenheiro.

Leia mais sobre o método: Nossa São Paulo

E maiores informações:

Sidnei Ono – (11) 5081-9900 / sidneiono@gmail.com

Professor Mario Thadeu Leme de Barros – mtbarros@usp.br

Site: http://www.phd.poli.usp.br/cabucu

FOTOS da IFLA World Congress 2009

IFLA 2009

MAIS FOTOS e conheça o nosso projeto que apresentamos no congresso: “RIO + VERDE”, acesse a página aqui

CARTA VERDE: Participe!!!!!!!!!!

Carta Verde

Envie sua resposta por gentileza para:

inverde.mail@gmail.com

Muito obrigado,

Equipe IN VERDE