::RIO + VERDE::

 

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Projeto apresentado na 46th IFLA WORLD CONGRESS

21 a 23 de Outubro de 2009 / Rio de Janeiro – Brasil

RIO MAIS VERDE

 Fotos da apresentação do projeto na IFLA. By Alex Herzog e Daniela Kussama.

Mais fotos do congresso, clique aqui

Rio + Verde

Proposta de implantação de percurso floresta-lagoa-mar como modelo para a criação de uma infraestrutura verde para a cidade do Rio de Janeiro

Inverde*

Resumo

A cidade do Rio de Janeiro apresenta características geo-biofísicas com condições excepcionais para a implantação de uma infraestrutura verde urbana. Possui uma área de 1.182 Km2 com um grande percentual de remanescentes florestais protegidos por Unidades de Conservação, originalmente coberta por ecossistemas de praia, restinga, mangue e floresta pluvial, conhecida como Mata Atlântica. Destaca-se seu sistema azul formado por rios, canais, lagunas litorâneas, baías (Guanabara e Sepetiba) e pelo Oceano Atlântico.

Esse artigo propõe aproveitar os potenciais biótico e hídrico, aliados aos espaços livres existentes e o sistema viário do município, para implementar uma rede verde-azul, como um meio de organizar os ambientes urbanos que apóiem um conjunto de funções ecológicas e culturais simultaneamente. Recomenda-se: aumentar áreas permeáveis (estacionamentos, vias de baixa velocidade, calcadas); incorporar espaços que possam dar suporte ao manejo, infiltração, detenção e retenção das águas pluviais ao longo de toda bacia; arborizar ruas, praças e parques para amenizar a poluição e o clima urbano; criar barreiras nas bordas de floresta para conter o desmatamento. Prioriza-se a circulação de pedestres e ciclistas com a criação de corredores multifuncionais ao longo de vias com espaços para o convívio social, educação, contemplação e relaxamento.

O trecho escolhido para intervenção é uma área de grande uso e visibilidade por pessoas de todas as classes sociais, residentes e turistas. Poderá servir de modelo para implantação e monitoramento de uma infraestrutura verde multifuncional. As soluções encontradas poderão ser replicadas em outros espaços da cidade, mantendo o enfoque sistêmico.

A área de estudo compreende um continuum que vai da bacia do Rio dos Macacos na vertente leste do maciço, que passa por: trilhas e quedas d’água, ocupação urbana formal e informal, Jardim Botânico, canal até a foz, segue pela margem sudoeste da Lagoa Rodrigo de Freitas, entra pelo Jardim de Alá até as praias de Ipanema e Leblon. Este setor possui atributos distintos em sua extensão onde podem ser aplicadas diferentes tipologias para solucionar problemas específicos.

Hoje o percurso se encontra poluído por fontes difusas: sedimentos oriundos de áreas desmatadas, das áreas em saibro do Jardim Botânico, de áreas asfaltadas e impermeabilizadas, do lixo urbano e do esgoto. Recebe água muito poluída do rio Cabeças e do canal do Jockey Clube e sofre com inundações freqüentes.

O rio dos Macacos deságua na Lagoa, na altura do Clube Piraquê. A foz está muito assoreada, e a ilha onde se encontra o clube tem crescido devido à formação de bancos de areia cobertos por densa vegetação herbácea. A Lagoa é contornada por ciclovia compartilhada e parques muito utilizados durante todo o ano. Há pontos de alagamento e de erosão que contribuem para o assoreamento além de áreas de lazer carentes de manutenção. No Jardim de Alá, o canal de ligação da Lagoa com o mar mantém a salinidade das águas da Lagoa, sofre influência das marés. O parque ao longo do canal está mal conservado.

Localizado na zona sul, o percurso proposto contém fragmentos dos ecossistemas: Floresta Tropical Atlântica, mangue e restinga. Como a paisagem dessa área é das mais marcantes da cidade, com pontos de grande atração turística, estima-se potencial educativo e capacidade para replicar boas práticas.

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A área foi setorizada para possibilitar proposições de tipologias compatíveis:

  • Nascente e encosta florestada: melhoria e manutenção de trilhas, instalação de lagoas pluviais e secas, recuperação de antigas instalações de tratamento de água abandonadas como ponto de atração do percurso ecológico-cultural.
  • Encosta urbanizada: Retirada da ocupação informal nas margens do Rio dos Macacos e recuperação da mata ciliar. Assentamento formal em pequenos prédios com princípios bioclimáticos, saneamento biológico, compostagem, lagoas pluviais e secas, campos esportivos drenantes. Para conter expansão urbana: hortas, agrofloresta, trilhas marginais.
  • Baixada: desimpermeabilização de áreas residenciais, de circulação e de lazer, tetos e muros verdes, biovaletas, melhorias na circulação de pedestres e ciclistas.
  • Foz e várzea: renaturalização canal  com utilização de técnicas de bioengenharia, criação de um pequeno parque linear exclusivo para pedestres e ciclistas para melhorar a conectividade, sinalização das travessias, biovaletas e alagado construído.
  • Orla lagunar: estacionamentos com pavimentação permeável, canteiros pluviais, renaturalização da margem da Lagoa, arquibancada drenante, passarela/mangue para observação da paisagem e do mangue, implantação do Museu de Ciências Naturais e Culturais da Paisagem, para exposições, pesquisa, e educação sobre a história e os processos naturais e culturais da ocupação urbana da paisagem da cidade.
  • Canal lagoa-mar: melhoria dos acessos ao parque e às ciclovias, dos cruzamentos com as vias de grande fluxo de veículos, renaturalização das margens, pavimentação permeável e jardins de chuva.

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Ao longo de todo o percurso, placas educativas informarão sobre os objetivos do paisagismo de alto desempenho, drenagem, filtragem das águas pluviais, tipos de vegetação e ecossistemas.

O objetivo desse artigo é contribuir para as discussões de sustentabilidade urbana com propostas para mitigar os impactos negativos da urbanização existente e adaptação às mudanças climáticas em curso, através de soluções que mimetizem os processos naturais. A melhoria das condições ambientais deverá proporcionar múltiplos benefícios para a para a cidade, seus habitantes e visitantes.

Referências

Cormier, N. S. e Pellegrino, P.R.M. Infraestrutura verde: uma estratégia paisagística para a água urbana. In: Paisagem e Ambiente n.25. FAUUSP, 2008, p. 127-142.

Gusmão, P.P., Carmo, P.S.e Vianna, S.B. Rio Próximos 100 anos – O aquecimento global e a cidade. IPP/SMU, Rio de Janeiro, 2008.

Ignatieva, M. et al. How to put nature into our neighbourhoods. Landcare Research New Zealand Ltd., Lincoln, N.Z., 2008.

Inverde* –

Autores: Lourdes Zunino Rosa, Cecília Herzog, Pierre-André Martin, Daniela Kussama, Ana Cecilia Meirelles, Joanna Alimonda e Anouck Barcat. 

Colaboradores: Alex Herzog, Elena Geppetti, Celina Llerena, Carolina Borges, Celina Lago, Eliane Sarmento, João Alfredo Viegas e André Andrade.

5 Responses to ::RIO + VERDE::

  1. Elchanan Palatnik disse:

    Moro perto da Praça José de Alencar, confluencia de Flamengo com Catete. Há uns dois anos, arrancaram 3 árvores nas proximidades da guarita da PM. Cimentaram os espaços que elas ocupavam. Uma árvore diante do bar Garota do Flamengo caiu, arrancaram o toco e cimentaram a calçada. Outra árvore próxima foi atingida, perdeu galhos, e aproveitaram p/ arranca-la e cimentar o piso. Três das palmeiras ao redor da estátua de José de Alencar estão faltando há anos. E há alguns meses, arrancaram 3 árvores diante do Teatro Cacilda Becker.

    A qualidade do interesse de quem de direito pelo assunto pode ser bem demonstrada pela transcrição a seguir, de reclamação que fiz há muito tempo:

    Prezado Elchanan Palatnik
    Seu número de registro é 1109264 e o assunto da sua solicitação é Parques e Praças – Limpeza e Manutenção.
    Guarde estas informações para consultar o andamento da sua solicitação.
    A mensagem foi enviada à Ouvidoria competente para as devidas providências. Obrigado pela sua participação!
    Atenciosamente,
    Ouvidoria da Prefeitura do Rio de Janeiro

    Em 18FEV09 reclamei no 2221-2574/2323-3504/2323-3561 que uma das oito palmeiras uniformemente distribuídas em uma circunferência em torno da estatua epigrafada esta faltando a muito tempo, mais de ano, e o retângulo de terra continua sem palmeira. Liguei novamente em 15ABR09 e 3JUN09. Todas as três vezes atenderam-me atenciosamente, e voluntariamente pediram meu nº. de telefone, dizendo q. retornariam c/ uma solução. Não recebi qualquer telefonema, nem plantaram a palmeira. Em duas das vezes disseram-me que aguardasse. Quanto? Não saberiam precisar.

    Em 9JUL09 e em 22JUL09 falei c/ a Ouvidora Dila. Da última vez ela me informou que palmeiras são plantadas somente quando há permuta. Pedi esclarecimento sobre tal procedimento. Ela informou-me que quando uma construtora ou pessoa física recebe licença p/ derrubar uma árvore, ela fica obrigada a fornecer outra à Prefeitura. E que quando isso viesse a ocorrer, plantariam a dita palmeira. Prazo: ah, bom, é aguardar.

    Quanto tempo aguardar: 1 mês, 1 ano, ou o mandato de outro prefeito, que mude esse procedimento absurdo? Se a Prefeitura decide que plantará palmeiras, ela tem que ter condições de replantá-las dentro de um prazo razoável, pré-definido, e do conhecimento público, em caso de morte da planta, ou perda da mesma.

    Que fazer, Cecília? A quem apelar? Hoje, 11JUL12, recebi o seguinte e-mail, cujo assunto é Jardins – 1534720:

    OUVIDORIA DA PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO

    Prezado Sr. Elchanan Palatnik,

    Seu registro com a solicitação de plantio foi encaminhado à Diretoria de Arborização para ciência do pedido e avaliação técnica cerca da possibilidade de atendimento.

    Atenciosamente,
    Ouvidoria da Prefeitura – FPJ

    Dá para esperar que dessa vez atendam?

    • Cecilia Herzog disse:

      Olá Elchanan,

      Infelizmente a biodiversidade urbana não tem vez. A cidade toda reclama da mesma coisa.

      Temos eleições esse ano, é bom refletir quais as prioridades de cada candidato. Só posso aconselhar que preste atenção em quem prioriza a natureza e as pessoas na cidade, senão a sustentabilidade não passa de mais geração de renda para poucos.

      Precisamos de sustentabilidade real, que contemple: a NATUREZA (pois é ela quem presta os serviços ecossistêmicos e garante a nossa existência, principalmente nas cidades garante melhor qualidade do ar, melhor saúde, evita deslizamentos e enchentes, melhora o clima urbano, etc.), o SOCIAL (as desigualdades sociais extremas são injustas e se voltam contra toda a cidade, é preciso que todos tenham oportunidades iguais com ensino público de qualidade, além de um sistema de saúde decente), a CULTURA LOCAL (a globalização está acabando com o que cada lugar tem de único), com isso o desenvolvimento econômico tem mais chances de ser sustentável. Melhor do que incentivar venda de carros e construir mais vias! Vamos plantar muitas árvores na cidade, onde estamos! O INVERDE tem trabalhado para isso.

      Abraços,
      Cecilia

  2. Helga Staudinger disse:

    Sou arquiteta urbanista e me especializei em paisagismo urbano. Tenho grande interesse em conhecer o projeto acima citado em detalhes. Trabalho na Prefeitura Municipal de Vitória-ES e há algum tempo penso em elaborar um projeto piloto nos mesmos padrões deste no Rio de Janeiro.
    Obrigada antecipadamente
    Parabéns a toda equipe

    • Inverde disse:

      Olá Helga!!

      Que maravilha que especializou-se em paisagismo urbano!
      Como você pode perceber, a falta de infraestrutura verde deixa cidades um caos como acontece no Rio de Janeiro, submerso por forte chuva desde segunda-feira!

      Vamos entrar em contato com você!
      Abraços
      Equipe Inverde

    • Lourdes Rosa disse:

      Oi Helga,

      Passamos vários meses estudando a bacia do rio dos Macacos para preparar o resumo apresentado no congresso, que precisaria ser detalhada para execução. Mas o objetivo é justamente ser replicável e se vc puder aplicar esses conceitos em Vitória vai ser ótimo. Tem várias fontes de pesquisa e inspiração no nosso site para você desenvolver seu trabalho!

      Como disse a Daniela, a infra verde seria de grande valia agora para minimizar o caos que tomou conta da cidade.

      A idéia predominante quando se estuda uma bacia hidrográfica é justamente refletir sobre o caminho das águas, como retê-la nas encostas e caminhos urbanos, permeabilizar o solo, criar alagados construídos, jardins de chuva, biovaletas, etc, que possam dar conta até de eventos extremos como o ocorrido na última segunda, quando em algumas horas lagoas transbordaram e rios canalizados subiram até 2 metros!

      Qualquer duvida é só “falar”!
      abçs
      Lourdes Zunino

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